ACIDENTES COM 

ANIMAIS PEÇONHENTOS

 

Os critérios para a classificação das serpentes a partir da observação da cabeça triangular, escamas, olhos ou cor do animal são bastante falhos, sendo assim é aconselhável não afirmar se a cobra é ou não peçonhenta com base apenas na observação dessas características.

Para descobrir se a cobra é ou não peçonhenta, há uma regra geral: caso a cobra apresente um orifício situado entre o seu olho e narina, chamado de fosseta lóreal, a cobra pode ser considerada peçonhenta, é a chamada "cobra de quatro narinas". A única exceção a essa regra é a cobra coral, que não apresenta essa peculiaridade, porém é bastante chamativa, pois é bem colorida.

O grau de toxicidade da picada depende da potência, quantidade de veneno injetado e do tamanho da pessoa atingida. No Brasil, a maioria dos acidentes ofídicos é devido a serpentes dos gêneros Botrópico, Crotálico e Elapídico.

 

Sinais e Sintomas: 

1. Botrópicos: (Urutu, Jararaca, Jararacuçu) - Fortes dores no local, inchaço, vermelhidão ou arroxeamento e aparecimento de bolhas. O sangue torna-se de difícil coagulação e pode-se observar hemorragia no local da picada, bem como na gengiva.

2. Crotálico (Cascavel): Quase não se vê o sinal da picada, e também há pouco inchaço no local. Alguma hora após o acidente se observa a dificuldade que o paciente tem de abrir os olhos, acompanhada de visão "dupla" (vê os objetos duplicados). O paciente fica com "cara de bêbado". Outro sinal é o escurecimento da urina, após 6 e 12 horas da picada, caracterizando pela cor de coca-cola. É responsável por 9% dos acidentes.

3. Elapídico (Corais): Pequena reação no local da picada. Poucas horas após, ocorre a "visão dupla", associada à queda das pálpebras; a vítima também fica com "cara de bêbada". Outro sinal é a falta de ar, que pode, em poucas horas, causar a morte do paciente.

 

Caso você encontre uma vítima de uma serpente, proceda da seguinte forma: 

· Deixe a vítima em repouso absoluto.

· Mantenha a parte afetada em posição mais baixa que o corpo, para dificultar a difusão do veneno.

· Lave o local com água e sabão.

· Afrouxe as roupas da vítima, procure retirar acessórios que dificultem a circulação sangüínea da vítima.

· Tranqüilize a vítima.

· Se for possível, capture a cobra, viva ou morta, para posterior identificação no CIAVE (Centro de Informações Anti Veneno, no Hospital Roberto Santos em Salvador, Ba).

· Dirigir-se urgentemente a um serviço médico. Procure socorro, principalmente após trinta minutos em que ocorreu o acidente.

· A vida do acidentado depende da rapidez com que se fizer o tratamento pelo soro no hospital mais próximo.

 

Medidas que só atrapalham e que não devem ser feitas:

· Torniquete, garrote, incisões e sucções na picada NÃO devem, sob nenhuma hipótese, serem realizadas porque bloqueiam a circulação e podem causar infecção, necrose e gangrena na vítima.

· Infusões e fazer a vítima beber álcool ou gasolina , em nada ajudam a melhora da vítima.

· Fazer com que a vítima se movimente e ou corra, pode fazer com que o veneno se espalhe pelo corpo, agravando o estado da vítima.

Mais importante que prestar socorro nesse tipo de acidente é fazer a prevenção:

· Não trabalhar ou andar descalço em jardins;

· Não mexer em buracos no chão ou em paredes;

· Olhar bem para o chão ou em paredes; Olhar bem para o chão quando estiver caminhando;

· Ter cuidado com montes de folhas, capim seco, e com mato;

· Lugares onde aparecem muitos roedores (ratos) são os melhores para as cobras se alimentarem;

· Mantenha jardins e quintais limpos; não deixe perto de casa restos de materiais de construção;

· Só ande em regiões de matas com botas até os joelhos.

· Não ataque esses animais, nem procure importuná-los. Eles o atacarão apenas ao sentirem-se ameaçados.  

 

Surucucu
 (Lachesis muta)

A maior cobra venenosa da América do Sul, chegando a medir, quando adulta, 4,5 m. Encontrada na Floresta Amazônica e Mata Atlântica. Responsável por cerca de 3% dos acidentes. Outras denominações: pico-de-jaca, surucutinga, surucucu- de-fogo, surucucu pico-de-jaca.

Cascavel
(Crotalus durissus)

Possui chocalho na ponta da cauda e chega a medir 1,6 m de comprimento. Preferem os campos abertos e regiões secas e pedregosas. Responsáveis por 8% dos acidentes ofídicos que ocorrem no País. Outras denominações: boicininga, maracabóia e maracambóia.

                   

Jararaca                  e                     Jararaca Pintada

(Bothrops jararaca)                          (Bothrops neuwiedi)

Sua cauda é lisa. Quando adulta, seu tamanho varia entre 40 cm a 2 m. Existem mais de 30 variedades que apresentam diferentes cores e desenhos. São encontradas em todo o País e responsáveis por 88% dos acidentes registrados. Outras denominações: caiçaca, jararacuçu, cotiara, cruzeira, urutu, jararaca-do-rabo-branco, surucucurana.

                       

        Corais (Micrurus corallinus    e    Micrurus frontalis)

Encontradas em todo o País, têm hábitos noturnos e praticam o canibalismo. Durante o dia descansam. Responsáveis por apenas 1% dos acidentes registrados. A coral é considerada a mais perigosa do Brasil, seu veneno age no sistema nervoso e pode levar uma pessoa a morte em poucos minutos. Outras denominações: coral verdadeira e ibiboboca.

 

Acidentes com Escorpiões: 

 

 

Os escorpiões são seres que só picam quando se sentem ameaçados.

São animais de hábito noturno. Têm como habitat ambiente pouco desbravado e bastante recluso.

Apesar do folclore que existe acerca desse animal, a sua letalidade depende da toxidez da picada, da quantidade de veneno injetado e do tamanho da pessoa atingida.

Grande parte das vítimas desse tipo de acidente consegue sobreviver.

O veneno dos escorpiões é neurotóxico (age no sistema nervoso central).

A sua picada geralmente é dolorosa. Em casos mais graves pode ocorrer parada respiratória ou parada cardíaca, principalmente quando acomete crianças e pessoas idosas.

 

Sinais e Sintomas:

· Náuseas.

· Sialorréia.

· Cefaléia.

· Visão turva.

· Torpor.

· Parestesia ou formigamento.

· Queda da tensão arterial.

 

Como prestar primeiros socorros para uma vítima picada por um escorpião:

· Deixe a vítima em repouso absoluto.

· Mantenha a parte afetada em posição mais baixa que o corpo, para dificultar a difusão do veneno.

· Lave o local com água e sabão.

· Afrouxe as roupas da vítima, procure retirar acessórios que dificultem a circulação sangüínea da vítima.

· Tranqüilize a vítima.

· Se for possível, capture a cobra, viva ou morta, para posterior identificação no CIAVE (Centro de Informações Anti Veneno, no Hospital Roberto Santos em Salvador, Ba).

· Dirigir-se urgentemente a um serviço médico. Procure socorro, principalmente após trinta minutos em que ocorreu o acidente.

· A vida do acidentado depende da rapidez com que se fizer o tratamento pelo soro no hospital mais próximo.

 

Acidentes com Aranhas:

 

Armadeira (Phoneutria)

Cor marrom acinzentada com manchas claras formando pares no dorso do abdome. O animal adulto mede 3 centímetros de corpo e até 15 centímetros de envergadura de pernas. Não faz teias. Habita terrenos baldios, escondendo-se,  durante o dia, em fendas, sob casca de árvores e até dentro de residências  (principalmente em roupas e calçados). É extremamente agressiva. Após a picada, ocorre dor intensa e imediata no local e, em casos mais graves, suor e vômitos.

Aranha de grama
(Lycosa sp)

Cor marrom acinzentada, apresentando um desenho em forma de seta no abdome. O animal adulto mede de 2 a 3 centímetros de corpo e 5 a 6 centímetros de envergadura de pernas. Habita campos e gramados e não é agressiva. No local da picada, pode ocorrer leve descamação da pele.

Aranha Marrom

(Loxosceles)

Cor marrom, abdome em forma de caroço de azeitona, mede aproximadamente 1 centímetro de corpo e 3 centímetros de envergadura de pernas. Vive sobre cascas de árvores, nas residências, atrás de móveis, nos sotãos e garagens. Não é agressiva. Dor pouco intensa no momento da picada, mas, entre 12 a 24 horas após, ocorrem, no local da picada, bolhas e escurecimento da pele (necrose). Também pode ocorrer escurecimento da urina, febre, vermelhidão e coceira na pele.

Aranha Caranguejeira (Pachistopelma Rufonigrum)

Cor marrom escuro, coberta de pêlos, podendo atingir até 25 centímetros de comprimento com as patas estendidas. Dificilmente pica. O que ocorre com maior frequência é uma reação alérgica pela ação irritante dos pêlos do seu abdome, que se desprendem quando o animal se sente ameaçado.

Viúva Negra

(Latrodectus)

Aranha de cor avermelhada com desenho em forma de ampulheta no ventre. Mede aproximadamente 1.5 cm de corpo e 3.0 cm de envergadura de pernas. Vive em residências rurais e em plantações. É muito ativa durante o dia. Não é agressiva. Causa muita dor no local da picada, que se irradia imediatamente. Contrações e dores musculares, podendo evoluir para convulsão. Suor, dor abdominal, vômitos, podendo ocasionar até choque.

 

São animais que só atacam quando atacados, não são agressivas. As aranhas apresentam uma peculiaridade: possuem hábitos domésticos, muitas vezes fazendo seus ninhos dentro de nossas casas, talvez por isso os acidentes com aracnídeos são mais comuns comparados com os que ocorrem com escorpiões e ocorre com mais freqüência entre os meses de março e maio.

 

Sinais e Sintomas:

Os sintomas apresentados pelas vítimas desses acidentes são muito parecidos com os das vítimas de escorpiões.

 

Como prestar primeiros socorros para uma vítima picada por uma aranha:

Os primeiros socorros também são os mesmos prestados aos acidentes ofídicos.

 

Acidentes com Taturanas:

 

Taturana

(Lonomia sp.)

As lagartas venenosas são a fase larval das borboletas ou mariposas. Possuem pelos ou espículos simples ou arborecentes por onde secretam veneno (que são substâncias alergenas) que causa coceira, provoca queimaduras e dor. As lagartas do gênero Lonomia, também conhecidas como Taturana, são lagartas de cor marrom-claro-esverdeado, com manchas amarelo-escuro. Apresentam listras de coloração castanho-escuro ao longo do corpo e espinhos ao longo do dorso. Não ultrapassam 6 a 7 centímetros. A reação imediata ao contato é de ardência e edema local. Hemorragia pode ocorrer precocemente (antes de 72 horas) quando o contato é maciço, ou tardiamente (após 72 horas) quando o contato é superficial. Pode haver insuficiência renal.