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Aspectos Históricos

 

HISTÓRICO DOS BOMBEIROS NO BRASIL

 

Fundado em 1565, por Estácio de Sá, o Rio de Janeiro passou a expandir-se e a aumentar sua importância no cenário nacional da época.

Em agosto de 1710 o Corsário Francês Jean Françoeis Duclerc, em missão de guerra, empreendeu um ataque que causou a destruição total da alfândega do Rio de janeiro, seguindo-se grande incêndio.      

Em 1732, violento incêndio de causa desconhecida, destruiu considerável parte do Mosteiro de São Bento, próximo a atual praça Mauá,  que acabara de ser reconstruído

Em 1788, em ofício datado de 12 de julho, o Vice-rei Luis de Vasconcelos, determinou que todos os cidadãos deveriam iluminar a frente de suas casas, a fim de evitar o atropelamento. O que deu motivo a essa providęncia foi o fato de que se o incêndio irrompia á noite, a confusão era total, por falta de iluminação pública.

Em 1789, outro grande incêndio destruiu completamente o Recolhimento da Nossa Senhora do Porto, causando profundo impacto junto à população a às autoridades. Na época os trabalhadores de extinção estavam a cargo do Arsenal da Marinha.

Nessas ocasiões, corriam para os incêndios as milícias, aguadeiros e voluntários que combatiam empiricamente as chamas com os meios disponíveis, dificultando o trabalho, o tipo de construções com farto madeirame, arruamentos estreitos e irregulares. Quando irrompia à noite, os incêndios vitimavam mais pessoas pela dificuldade de evacuação dos locais face à precária iluminação existente.
         O Arsenal de Marinha, que fora criado em 1763, pelo Conde da Cunha, foi a repartição escolhida para extinguir os incêndios na cidade tendo sido levado em conta a experiência que tinham os homens do mar em apagar o fogo em suas embarcações. Pela necessidade de dotar a cidade de um Sistema de Combate mais organizado, o Alvará Régio de 12 de agosto de 1797, título XII determinou que o Arsenal da Marinha passasse a ser o órgão público responsável pela extinção de incêndio, em razão da experiência que os marinheiros possuíam em extinção de fogo nas embarcações contando com treinamento e equipamento para tal, expressamente determinava ao Intendente do Arsenal: "e terão sempre prontas as bombas, e todos os mais instrumentos necessários para se acudir prontamente não só aos incêndios da cidade mas também aos do mar".

 Data verdadeiramente desta época o início do serviço de extinção de incêndios realizados por um Órgão Público na cidade do Rio de Janeiro, isto é, em 12 de agosto de 1797.

 Em 1808 foi criado o cargo de Inspetor do Arsenal cabendo-lhe dirigir pessoalmente a extinção de incêndios na cidade, para isso levando as bombas, marujos, escravos e água.

Outros incêndios seguiram, assim com conflitos de competência sobre a responsabilidade pelo comando das operações de combate à incêndios chegando à sugestão de passar ao Diretor de Obras Públicas, com pessoal próprio.

 

O BRASIL IMPÉRIO

 

Sempre foram muito difíceis e limitados os recursos da população contra o fogo que se expandia rapidamente devido serem as construções ricas em madeiras. O sinal de incêndio era dado pelos sinais das Igrejas. Acorriam todos os aguadeiros com suas pipas, e também os populares, que faziam longas filas até o chafariz julgado mais próximo, transportando de mão em mão os baldes de água, ao mesmo tempo em que se improvisavam escadas de madeira para efetuar salvamentos, retirando os moradores, antes que eles se atirassem. E se o incêndio ocorria a noite a confusão era total por falta de iluminação pública. Por isso o Vice-Rei Luís de Vasconcelos, em ofício a Câmara datado de 12 de julho de 1788, determinou que todos deveriam iluminar a frente de suas casas, a fim de evitar o "atropelamento". O pânico era tanto que este causava mais vítimas que o próprio fogo.

 

CRIAÇÃO E IMPLANTAÇÃO DO CORPO DE BOMBEIROS

 

Em julho de 1856, a exposição de motivos feita pelo Inspetor do Arsenal de Marinha das Cortes, o CMG Joaquim José Inácio, contida no Ofício de 26 de março de 1851,. apesar de decorridos mais de cinco anos, apresentava os primeiros sinais positivos. Os fatos narrados naquele documento provocaram do Ministério da Justiça a elaboração do Decreto Imperial nº 1.775, assinado por sua Majestade o Imperador Dom Pedro II e promulgada a 02 de julho de 1856. Este Decreto reuniu numa só Administração as diversas Seções que até então existiam para o Serviço de Extinção de Incêndios, nos Arsenais de Marinha e Guerra, Repartição de Obras Públicas e Casa de Correção, sendo, assim, criado e organizado o Corpo Provisório de Bombeiros da Corte sob a jurisdição do Ministério da Justiça, sendo seu primeiro comandante um Oficial Superior do Corpo de Engenharia do Exército, o Major João Batista de Castro Moraes Antas, nomeado em 26 de julho de 1856. O primeiro uniforme usado na corporação foi criado pela esposa do Imperador D. Pedro II, Princesa Tereza Cristina maria de Bourbon.

Com o Decreto nº 2.587, de 30 de abril de 1860, tornava-se definitivo o Corpo Provisório de Bombeiros da Corte, passando sua subordinação a jurisdição do Ministério da Agricultura que na mesma data era criado, cujo primeiro titular e organizador foi o Almirante Joaquim José Inácio.

Aqui podemos afirmar, sem sombra de dúvida que a criação do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, decorreu do bom senso, pertinácia e tino administrativo de um extraordinário brasileiro, que, mais tarde, tornou-se, graças aos seus méritos, conhecido como Visconde de Inhaúma.

1865 - Nesse ano, recebeu o Corpo de Bombeiros a sua primeira Bomba-a-vapor, especialmente destinada aos incêndios à beira-mar, podendo ser embarcada para extinção de incêndios abordo e transportada por 20 (vinte) homens.
         1870 - Em outubro, foi adotado o uso da corneta militar para os sinais do Corpo de Bombeiros em substituição ao apito até então em uso, iniciando-se ao mesmo tempo a tração das viaturas por muares.

1872 - A 20 de maio, foi recebida a segunda Bomba a vapor entregue pela Inspetoria de Obras Públicas;

1875 - Nessa época tinha o Corpo duas Bombas a vapor a 16 manuais, sendo que: seis eram de grande porte, exigindo de 16 a 20 homens para movę-las; 10 pequenas, podendo ser tocadas por seis homens.

1877 - Foi instalado o primeiro aparelho telefônico do Rio de Janeiro, ligando a loja "O Grande Mágico"-, de Antônio Ribeiro Chaves (que negociava no Beco do Desvio n° 86 - hoje rua do Ouvidor, com novidades mecânicas e aparelhos elétricos) e o Quartel do Corpo de Bombeiros.

Nesse mesmo ano fez-se experiência com uma das 24 caixas avisadores de incêndio que estavam sendo construídas na Repartição Central dos Telégrafos, para assentarem-se dentro do perímetro da cidade.

1879 - Somente em janeiro, dezenove anos depois de publicado o Regulamento do Corpo de Bombeiros (Decreto Imperial n° 2.587/1860) que já cogitava da instalação dessas Caixas, foi inaugurado o primeiro circuito, com 12 aparelhos colocados em pontos convenientes, no Centro Comercial da cidade.
Nesse mesmo ano, a Repartição dos Telégrafos acabava por organizar um sistema de linhas telefônicas para avisos de incêndios, no Rio, ligadas à Estação Central dos Bombeiros postos 1, 2 e 3) e Estações Policiais.

1880 - Durante este período, por Decreto n9 7.766, de 19 de julho, foram concedidas aos Oficiais do Corpo, graduações militares, com uso das respectivas insígnias. Ao Diretor Geral, foram dadas as honras de Tenente-Coronel, ao Ajudante, as de Major, aos Comandantes de Seções, as de Capitães e aos instrutores, as de Tenentes.

Até então, embora estivesse o Corpo de Bombeiros militarmente organizado e aquartelado, não podiam os seus oficiais nem mesmo no quartel, usar insígnias, e quando concorriam em serviço com outras autoridades militares e civis, eram tidos, como simples soldados, pois traziam a farda sem distintivo algum indicando o cargo que ocupavam.

É da publicação desse Decreto que data verdadeiramente a organização militar do, Corpo de Bombeiros. que pouco depois foi consolidada pelo Regulamento de 1881.

1881 - Por Decreto n° 8.837, de 17 de dezembro, foi aprovado o Regulamento que dava organização militar ao Corpo de Bombeiros, elevando seu estado efetivo a 300 homens e autorizando o governo a empregá-lo, em caso de guerra, como Corpo de Sapadores ou Pontoneiros,. ficando em tal emergência com a mesma organização de Batalhão de Engenheiros.

 

PERÍODO REPUBLICANO

 

1894 - Somente em 19 de janeiro desse ano, foi instalada a primeira enfermaria do Corpo, em uma parte do próprio nacional continuo ao quartel, ocupado, ainda, pelo Depósito Público. Os trabalhos de Adaptação necessários a dar-lhes as condições de asseio e higiene indispensáveis foram feitos por conta do cofre do Corpo.

1895 - Em 19 de junho desse ano, completando o importante melhoramento introduzido no ano anterior, qual seja a instalação da enfermaria, foi inaugurada a farmácia. Passaram assim os bombeiros a ter tratamento no quartel e os medicamentos para os oficiais, praças e suas famílias, aí fornecidos, aviando-se os receituários.

Podemos afirmar que data desta época a criação do serviço médico social da Corporação.

1896 - Um ofício Ministerial datado de 30 de outubro, autorizava o Comandante do Corpo de Bombeiros a criar a Banda de Música desse Corpo. Isso ocorreu na Presidência do Dr. Prudente de Moraes, sendo Ministro da Justiça o Dr. Alberto Torres e Comandante do Corpo o Coronel Eugênio Rodrigues Jardim. A Banda teve por organizador e ensaiador inicial o artista de talento e inspirado compositor Anacleto de Medeiros. A primeira exibição da Banda se deu a 15 de novembro do mesmo ano, por ocasião da inauguração do novo Posto do Humaitá;

1899 - Foi adquirida a primeira ambulância para acompanhar o material destinado ao combate a incêndio;

1908 - A 23 de maio, foi concluída a obra e inaugurada o majestoso prédio, verdadeiro símbolo arquitetônico, que é o Quartel do Comando Geral do Corpo de Bombeiros.

 

Até nossos dias, este Quartel teve as seguintes de nominações:

- ESTAÇÃO CENTRAL DO CORPO PROVISÓRIO DOS BOMBEIROS DA CORTE.

- ESTAÇÃO CENTRAL DO IMPERIAL CORPO DE BOMBEIROS

- QUARTEL CENTRAL DO CORPO DE BOMBEIROS DA CAPITAL FEDERAL.

- QUARTEL CENTRAL DO CORPO DE BOMBEIROS DO DISTRITO FEDERAL.

- QUARTEL CENTRAL MARECHAL SOUZA AGUIAR.

- QUARTEL DO COMANDO GERAL DO CORPO DE BOMBEIROS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO.

Esta obra foi idealizada e projetada pelo Marechal Engenheiro Francisco Marcelino de Souza Aguiar, ex-Comandante da Corporação.

 

O ADVENTO DO MOTOR A EXPLOSÃO

 

 1913 - O Boletim do Comando do Corpo de Bombeiros da Capital, datado de 30 de maio de 1913, fez público a Ordem de Serviço nº 119:

 Devendo começar no dia 1º do mês próximo vindouro (junho) o serviço de socorro para incêndios com material automóvel, determino a observância das presentes instruções:

O material da primeira prontidão será constituído dos seguintes escalões:

a - 1º Socorro (automóvel);

b - 2º Socorro (misto);

c - 3º Reforço (automóvel).

Em 1º de junho, uma nova era que se inicia no Corpo de Bombeiros, é a era da tração mecânica. "Dali em diante o galopar dos cavalos, seria gradativamente, substituído nas ruas da cidade, pelo ronco possante dos motores dos carros dos Bombeiros".