Aspectos Históricos
ORIGEM E EVOLUÇÃO DAS ATIVIDADES DE BOMBEIROS NO RIO GRANDE DO SUL Em 1895,
com quase 70 mil habitantes, Porto Alegre passava por um frenético período de
expansão. A luz elétrica levada a particulares por uma companhia inglesa desde
1873, alcançava um número cada vez maior de residências. A iluminação pública
contabilizava mais de 600 lampiões a gás. O
serviço de transportes era exemplar. Os bondes, puxados a burro, já chegavam
aos bairros mais distantes como: Menino Deus, Navegantes (com suas indústrias)
e o longínquo Partenon, onde o Hospício São Pedro havia sido inaugurado onze
anos antes. Nos fins de semana os portoalegrenses se entregavam ao seu principal
programa de lazer: ir ao prado. Batalhões de aficionados se deslocavam até os
quatro hipódromos então existentes na cidade: Moinhos de Vento, Vicente da
Fontoura, Menino Deus e Navegantes. Aparentemente,
os serviços urbanos não deixavam
nada a desejar e o portoalegrense desfrutava de uma agradável vida comunitária,
sem maiores sustos e percalços. Mas
não era bem assim. Havia
incêndios a perturbar esse belo cenário e não existia quem os combatesse com
eficiência. A cidade não contava com um serviço oficial de combate ao fogo,
que até então se limitava a um desorganizado e desaparelhado corpo de voluntários,
incapaz de enfrentar sinistros de maior vulto. Para
quem vivia e trabalhava na Porto Alegre daquela época, as casas de comércio e
serviços fervilhantes de fregueses, por trás de suas fachadas elegantes
poderiam compor um cenário de vigorosa modernidade. Mas a estrutura de construção
dessas mesmas casas, situadas em ruas estreitas, e o fato de elas obedecerem –
quando obedeciam – a um código de obras deficiente, eram a causa de seu próprio
inferno, quando um incêndio iniciava. É
aí que entram, nessa história, as Companhias de Seguros então instaladas em
Porto Alegre. Preocupadas com a quantidade de incêndios e com a forma ineficaz
de combatê-los – que além de tudo lhes prejudicava a saúde financeira –
elas tomaram a iniciativa de fundar, estruturar e administrar um Corpo de
Bombeiros, o primeiro da história da cidade, tão bem equipado quanto o das
capitais brasileiras de seu porte, e com o passar do tempo estenderam esse serviço
as principais cidades do interior. Assim, quando o Corpo de Bombeiros foi
incorporado à Brigada Militar, quarenta anos depois, em 1935, carregou junto a
tradição de eficiência e arrojo que conserva até hoje, o que, do ponto de
vista das Companhias, era apenas o resultado de métodos administrativos bem
aplicados. Na
realidade em 1894 já se desenrolavam negociações entre as companhias de
seguros e a Prefeitura (a Intendência como era chamada). Em
abril daquele ano, as companhias de seguros se reuniram para estudar uma
proposta enviada pela Prefeitura, onde ela oferecia como subsídio a verba de
dez mil réis anuais – sua parte no custeio do futuro Corpo de Bombeiros. O
Corpo de Bombeiros de Porto Alegre, foi inaugurado em 1º de março de 1895. A
Estação estava localizada na confluência da Av. Mauá com Rua Dr. Flores. Seu
efetivo era de 17 funcionários, sendo dez deles, os assim chamados
"soldados do fogo", que em suas batalhas contariam agora com um carro
equipado com bomba manual e puxado por parelhas de cavalos. Era apenas o começo, pois ao longo dos anos, as Companhias Seguradoras fizeram sempre o possível para equipar o corpo de bombeiros com os materiais e acessórios.
VEJA-SE
A SEGUINTE CRONOLOGIA -
Em 1901 já contavam com 39 homens e foi adquirida a primeira lancha a
vapor para as atividades de busca e salvamento; -
Em 1911 é adquirida uma bomba química e um automóvel; - Em 1912 é adquirida uma bomba química movida a ácido carbônico e são
criadas duas estações: uma na Almirante Barroso com Cristóvão Colombo e
outra na João Pessoa com Venâncio Aires; -
Em 1913 chega da Europa um carro Mulag de 42 HP; -
Em 1917 é construída a lancha "Mostardeiro Filho"; -
Em 1924 é criada a biblioteca do Corpo, é criada uma escola
profissional, é adquirida a lancha "General Petrazzi" e dois caminhões
Ford; - Em 1928 é elogiado pela imprensa pela sua atuação na enchente que
atingiu a Capital; - Em 1934 recebe a lancha "General Rasgado"; - Em 1935, em função do "crack" da bolsa de Nova York em 1929,
bem como por intenção das Companhias Seguradoras, passou para responsabilidade
do estado. O
pensamento das companhias seguradoras já vinha se fazendo sentir como o
expresso em uma das suas reuniões, em 1927;
"(...)
As companhias de seguro podem continuar a estipendiar o trabalho dos bombeiros,
mas não podem e não devem, por escapar às suas atribuições, zelar pela
conservação econômica ou técnica do Corpo, devendo para todos os efeitos e
por todos os fatores ser essa corporação dirigida economicamente nas suas
necessidades materiais pelos poderes públicos, porque a sua finalidade é pública
(...)".
As
companhias seguradoras admitiam que o crescimento da cidade exigia um Corpo de
Bombeiros ampliado e dotado de materiais mais modernos, e propugnavam que
"como já acontece em quase todas as cidades do mundo, esse serviço seja
administrado e custeado pelo Governo ou pelo Município". No
dia 27 de junho de 1935, o General Flores da Cunha, interventor no Governado do
Estado, assinou decreto transferindo "o Corpo de Bombeiros Particular de
Porto Alegre à Brigada Militar". A Brigada Militar, ao acolher o Corpo de Bombeiros à sua estrutura organizacional, deu excelentes condições para o desenvolvimento de suas atividades, tornando-as imprescindíveis à comunidade riograndense. Nos anos 60, nas oficinas da Brigada Militar (Companhia de Manutenção de Bombeiros), chegou-se a montar dezenas de viaturas para o combate ao fogo, bem como foram criados, fabricados e recuperados equipamentos de alta tecnologia e de grande importância para a execução das atividades operacionais de bombeiros, com custo significativamente menor ao de mercado. Surpreendentemente,
à despeito da elevada qualificação técnica alcançada pelo Corpo de
Bombeiros da Brigada Militar à época, em 13 de maio de 1970, através do
Decreto nº 20.277, foi extinta a Diretoria de Bombeiros e seus órgãos
desativados, tendo as Unidades de Bombeiros sido transformadas em Pelotões
Especiais de Socorro, subordinadas às Unidades de Policiamento. A
partir daí, o desaparelhamento do Corpo de Bombeiros foi progressivo, pois sem
comando e doutrina únicos, os prejuízos materiais, humanos e técnicos foram
significativos, diminuindo de forma acentuada sua capacidade operacional. Constatado
o equívoco em 13 de agosto de 1974, através do Decreto nº 23.245, foi criado
o Comando do Corpo de Bombeiros (CCB), como escalão intermediário de comando,
a ele subordinando-se todas as Unidades de Bombeiros Militares, para fins de
instrução e operações. Com essa iniciativa iniciou-se novo processo de
recuperação das atividades operacionais de bombeiros e, por conseqüência, do
crédito e da confiança da comunidade. Mais
uma vez o Corpo de Bombeiros vê interrompida sua trajetória, quando é
novamente surpreendido pelos projetos de lei nº 254 e 255, que previam a
desativação do Comando do Corpo de Bombeiros, passando suas Unidades
Operacionais a se subordinarem aos Comandos de Policiamento da Área, resultando
na extinção do CCB, através do Decreto nº 34.572, de 16 Dez 92, apesar da
inconformidade da maioria dos oficiais ligados à área de Bombeiros. Em foi criado o Comando Regional de Bombeiros do Litoral. Em
1997, com a reestruturação da Brigada Militar, foi novamente extinto o Comando
do Corpo de Bombeiros, surgindo então oito Comandos Regionais de Bombeiros,
descompondo novamente o canal de comando e
doutrinário de uma atividade técnica essencial.
Advindo
da necessidade de mudança de um modelo de comando para assuntos de bombeiro que
contemplasse as necessidades da comunidade e da Instituição, o Comando do
Corpo de Bombeiros foi reativado novamente, através do Decreto nº 41.427, de
22 Fev de 2002, e instalado em 01 de março 2002, com sede em Porto Alegre, na
Av. Aureliano Figueiredo Pinto, nº 345. Com
o objetivo de planejar, organizar, fiscalizar, controlar e instruir, é também
responsável pelas atividades técnicas de bombeiro em todo o Estado, bem como
pela orientação e instrução dos serviços auxiliares de combate a incêndio.
O Comandante do Corpo de Bombeiros da Brigada Militar então o Cel QOEM Juarez Fernandes de Souza, e sendo Chefe do EM/CCB o Ten Cel QOEM Edison Luiz Munari Zingano. O CCB foi estruturado em três Divisões, a saber: Divisão
Técnica de Prevenção de Incêndio e Investigação, chefiada pelo Ten Cel
QOEM José Pedro Cabreira e tendo como integrantes os Maj QOEM João Luis Soares, Maj
QOEM Mauricio Martins Alves, Cap QOEM Emilio Dal Ongaro Cordeiro, 1º Sgt QPM-2 Sadi Bueno
Soares, 3º Sgt QPM-2 Hélio José Scotti, Cb QPM-2 André Matos Baltazar e o Sd
QPM-2 Antonio Henrique Petry. Divisão de Operações e Defesa Civil, chefiada pelo Ten Cel QOEM Edison Luiz Munari Zingano e formada pelos Maj QOEM Paulo Roberto Siegle de Avila, Maj QOEM Luiz Castelar da Silva Cap QOEM Ben-Hur Pereira da Silva, 1º Sgt QPM-2 Paulo Antonio da Rosa Barreto, Sd QPM-2 Leandro Ramos Ferreira e o Sd QPM-2 Lúcio Ubirajara de Freitas Munhos. Divisão Administrativa, chefiada pelo Maj QOEM Roget Kopczynski da Rosa e formada pelos Cap QOEM Marco Aurélio Lages de Quadros, Cap QOEM Alexandre D’Avila Harthmann, Sub Ten QPM-2 Hilário Koch, 1º Sgt QPM-2 Marlo Domingos Monschau, 1º Sgt QPM-2 Ricardo Zanoni Barcelos, 2º Sgt CVMI Dorli da Silva Souza, Sd QPM-2 Etel Rinco, Sd QPM-2 José Ubiratan Quintana, Sd QPM-2 Rogério Araújo Severo, Sd QPM-2 Marco Antonio Oliveira Aguiar e o Sd QPM-2 Wilson Genes dos Santos Cardoso. |