Olhar que protege e a tecnologia que transforma o canil da Brigada Militar
Corporação conta com 98 cães no RS e aposta na conexão invisível entre homem e animal
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Nas fileiras da Brigada Militar, existe um tipo de combatente que não usa farda, mas cujo preparo físico e técnico exige tanto rigor quanto o de qualquer oficial. São os cães de serviço, sentinelas de quatro patas que, entre o faro aguçado e o vínculo de amizade com seus condutores, estão levando o policiamento gaúcho a um patamar de excelência internacional.
Atualmente, a Corporação conta com 98 cães espalhados pelo Rio Grande do Sul. Destes, 28 compõem o Canil Central, em Porto Alegre, atuando na Região Metropolitana e prestando apoio a outros estados e até ao Ministério da Justiça. À frente dessa estrutura está o Capitão Pedro Matheus Martins Ribeiro, coordenador da formação e comandante da 3ª Companhia do 1º BPChq. Para ele, o segredo do sucesso não está apenas no adestramento, que chega a durar dois anos, mas na conexão invisível entre o homem e o animal.
O elo pelo Olhar
O princípio basilar do treinamento é o estabelecimento do vínculo. No Canil Central, cada policial tem o seu próprio cachorro. Essa exclusividade permite que a confiança se transforme em uma linguagem silenciosa. "Só aquela troca de olhares já é capaz de identificar se o nosso cachorro está em condições de trabalhar, se está cansado, abatido ou estressado", explica o Capitão Ribeiro. O policial acompanha o animal desde filhote, conhecendo cada trejeito e percebendo qualquer alteração física ou comportamental antes mesmo de uma missão começar.
Tecnologia a serviço do bem-estar
O futuro do canil já começou a ser desenhado no papel e em novas práticas de treinamento. Uma das novidades é a utilização de kits de odores importados. A tecnologia permite que o cão aprenda a identificar substâncias químicas e drogas sem nunca ter contato direto com o entorpecente, eliminando qualquer risco à saúde do animal.
Mas a grande transformação está na infraestrutura. Um novo pavilhão está sendo construído do zero com foco total no bem-estar animal. O projeto contempla boxes com solários e detalhes técnicos que lembram o rigor hospitalar, como rodapés ondulados para evitar o acúmulo de sujeira e doenças. A inovação chega até à sede do animal: bebedouros automáticos garantirão água fresca e gelada 24 horas por dia, com um sistema de reposição por bombinha que identifica o consumo em tempo real.
Elite internacional
Se o vigor físico dos cães deve ser condizente com o dos policiais, a especialização também segue o mesmo ritmo. Dos 28 cães do Canil Central, alguns possuem "duplo emprego", atuando tanto na detecção de armas e drogas quanto na guarda e proteção.
O destaque nacional, contudo, vem do faro para explosivos. Arnon, um Pastor Alemão, e Isa, uma Pastor Belga de Malinois, formam o casal de elite que atua em missões sensíveis, como a segurança de chefes de estado, delegações estrangeiras e grandes artistas internacionais.
Produtividade em salto
Os investimentos em técnica e cuidado refletem-se nos números. Entre 2024 e 2025, o Canil da Brigada Militar registrou um aumento acumulado de 1.058,36% nos seus principais indicadores. Entre estes estão detecção de explosivos, apreensão de drogas e localização de foragidos.
Para o Capitão Ribeiro, “esses dados apenas evidenciam a relevância estratégica dos cães. Seja correndo ao lado de seu condutor para manter o preparo físico ou descansando em um box higienizado”. Segundo ele, “cada um desses 98 cães é uma peça fundamental na segurança da população gaúcha, servindo com dignidade e uma lealdade que nenhum equipamento tecnológico consegue substituir”.
Texto: jornalista Marcelo Miranda SC-PM5/Brigada Militar