Seminário celebra os 38 anos do Instituto de Pesquisa Brigada Militar
No evento, foi realizada análise sobre o uso das câmeras corporais, além do lançamento da 2ª Revista Científica do IPBM
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A Brigada Militar realizou, nesta terça-feira (27/10), o seminário alusivo aos 38 anos do Instituto de Pesquisa Brigada Militar (IPBM). O evento reuniu pesquisadores da corporação, alunos-soldados e alunos-oficiais em uma manhã de debates sobre inteligência artificial aplicada à pesquisa científica e uso de câmeras corporais na BM. A programação também incluiu o lançamento da 2ª edição da Revista Científica do IPBM e a entrega da Comenda Major Miguel José Pereira. O encontro aconteceu na sede da Federação Gaúcha de Futebol (FGF), no bairro Praia de Belas, em Porto Alegre.
O seminário foi aberto pelo comandante-geral da Brigada Militar, coronel PM Luigi Gustavo Soares Pereira. Durante a abertura, o oficial contextualizou a importância do conhecimento científico para a Brigada Militar e destacou a repercussão da produção de conhecimento para a atividade-fim. “O conhecimento científico, ele gera o conhecimento técnico, e não o contrário. O operador que está na rua está se utilizando do conhecimento que todos vocês aqui produzem, para que ele possa fazer um policiamento ostensivo de mais qualidade”, explicou.
Abrindo as palestras do evento, a pós-doutora em Direito e procuradora municipal de Porto Alegre Cristiane Catarina Fagundes de Oliveira apresentou a palestra "Inteligência Artificial e Pesquisa Científica". Durante cerca de meia hora, a acadêmica discutiu as implicações da pós-modernidade sobre a produção científica e apresentou boas práticas no uso das ferramentas de inteligência artificial na produção científica.
“A questão de hoje não é mais se a gente pode ou deve usar IA, e sim como iremos usá-la e qual IA podemos usar. É fundamental olharmos com o olhar crítico. Os nossos problemas (de pesquisa) são humanos, e não problemas da IA. O pesquisador deve preservar seu espírito de investigação real, a partir de problemas reais, pensados por pessoas reais, para achar soluções verdadeiras”, argumentou Cristiane.
Na segunda palestra do dia, o coronel da Legião Altiva da BM Marco Antônio dos Santos Morais apresentou o trabalho “Análise do uso de câmeras corporais na Brigada Militar”. Na explanação, ele apresentou os resultados de uma pesquisa que avaliou os efeitos do uso de câmeras corporais sobre indicadores de produtividade policial, criminalidade e correição em seis batalhões de Porto Alegre.
Segundo o estudo, a maioria dos indicadores de produtividade analisados aumentou, e o número de prisões cresceu em todos os batalhões. Nos indicadores criminais, os resultados variaram conforme o período de comparação, enquanto os homicídios permaneceram estáveis. Também foi notado o chamado “efeito civilizador”, no qual o cidadão tende a resistir menos e o policial militar também tende a agir com mais profissionalismo quando ambos estão sendo gravados, resultando em abordagens mais seguras para ambos.
“Essa é a importância da pesquisa científica. Embora haja um senso comum na tropa de que possa ter havido uma queda na produtividade, quando comparamos o pós e o antes das câmeras, o que se percebe é o contrário. A pesquisa foi apresentada ao Conselho Superior da Brigada Militar, enquanto eu ainda estava na ativa e isso subsidiou o Comando da Corporação”, contou o coronel Marco.
O seminário também marcou o lançamento da segunda edição da Revista Científica do IPBM. O periódico reúne sete artigos desenvolvidos por pesquisadores civis e militares sobre ciências militares, ciências policiais e outras áreas do conhecimento que contribuem para o aperfeiçoamento da segurança pública.
Ao final do evento, a Comenda Major Miguel José Pereira, do IPBM, foi entregue a pessoas que se destacaram pelo apoio e pela colaboração no desenvolvimento de pesquisas científicas em segurança pública. Ao todo, 33 civis e militares foram agraciados.
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Texto: Ícaro Ferreira - jornalista - servidor civil/PM5